Litraço (011206)
Curioso. Estava no mercado, indo comprar um refrigerante quando vi a novidade. Era o litraço.
Sabe, há uns vinte anos, lembro-me dos almoços de domingo com meus pais, minha irmã, meus avós e minha tia. Tudo isso com apenas um litro de refrigerante, quando era festa, havia dois.
Era uma garrafa de vidro, o casco. Tínhamos de levar o casco vazio para poder comprar outro. Isso incluia o refrigerante e a cerveja. Havia fila do lado de fora dos mercados para você dar o casco e receber um vale com o número exato da bebidas que queria comprar.
Curioso? Bem, o pior é falar do disquete 5 1/4. *rs* Pior ainda é lembrar do gravador e da fita K7 como mecanismos para armazenar dados. E como usei isso no meu velho e companheiro MSX nos anos 1980.
Voltando aos refrigerantes, logo depois veio a garrafa descartável de dois litros. Era o início do fim do casco.
Curioso como o consumo da família passou para basicamente dois litros. Ou seja, numa matemática bem simples, vemos que duplicou.
Mas onde quero chegar? Há poucos meses, o IBGE divulgou um dado que me deixou pensativo e preocupado: o brasileiro tinha deixado de ser desnutrido para ter excesso de peso ou obesidade. Aliado a previsão de que em 2054, 100% da população será obesa, coloquei-me a pensar.
Curioso como que a atual geração de crianças tornou-se sedentária. Não coloco a culpa no computador e no video-game, a geração que teve a infância nos anos oitenta e adolescência nos noventa, também teve isso. Então de quem seria a culpa? Dos pais? Talvez. Mas não a totalidade dela.
Alarmante é como constatamos o avanço de doenças que antes eram 'coisas de velho'. É alarmante ver dislipidemia e hipertensão em crianças, principalmente quando a prevenção passa pela prática de exercícios e a reeducação alimentar. Imaginem uma 'epidemia' de infarto aos 25 anos?
Curioso é como o governo não se atentou para isso. Pois não se trata apenas da saúde do indivíduo, mas também de gastos com o SUS e INSS, dentre outros. Isso para dar uma visão que o burocrata entenderia...
Então, peguei a garrafa de três litros na mão, o litraço, olhei para ela. E peguei a de dois litros, mas light. Sabe como é, tenho de manter a forma. 
E para encerrar e descontrair com humor, eis a décima terceira frase da série sobre etilismo: ""Bebo porque é líquido, Se sólido fosse, come-lo-ia." (Jânio Quadros)
Escrito por Vinicius às 21h33
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